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Tuesday, February 05, 2013

Sessão (in)Formativa /Fórum debate sobre Alimentação Vegetariana Natural, 16 de Fevereiro de 2013, Sábado, Casa da Juventude de S.Mamede de Infesta

Sessão (in)Formativa /Fórum debate sobre Alimentação Vegetariana Natural
“A Alimentação Vegetariana Natural – Moda, dieta ou estilo de vida?”
16 de Fevereiro de 2013, Sábado, Casa da Juventude de S.Mamede de Infesta
15h00

Sessão (in)Formativa /Fórum debate sobre Alimentação Vegetariana Natural“A Alimentação Vegetariana Natural – Moda, dieta ou estilo de vida?”
Somos aquilo que comemos. Sendo a alimentação tão preponderante naquilo que somos e fazemos porque é que, tantas vezes, praticamos uma alimentação tão inconsciente e descuidada? Não acaba por ser inevitável o surgimento de tantos problemas de saúde associados ao nosso estilo de vida e à alimentação inconsciente que praticamos?
Pode-se dizer que a nossa alimentação se artificializou, industrializou e tornou em larga medida negligente. Quantas vezes reflectimos verdadeiramente sobre os nossos hábitos alimentares? Até que ponto nos preocupamos verdadeiramente com a qualidade e vitalidade da nossa alimentação?
Esta sessão (in)formativa pretende sensibilizar para uma alimentação consciente e sustentável, quer ao nível socio-ambiental quer ao nível, e antes de tudo o mais, da saúde e equilíbrio do próprio indivíduo. Será alimentarmo-nos de forma equilibrada algo assim tão difícil, aborrecido e dispendioso ou, pelo contrário, um processo divertido, acessível e, antes de tudo o mais … natural?

Alguns dos principais conceitos abordados:
  • Principais motivos/motivações para adoptar uma Alimentação Vegetariana
  • Diferentes tipos de vegetarianismo
  • Noções básicas de nutrição vegetariana
  • A Alimentação Natural
  • Ingredientes / condimentos básicos numa alimentação vegetariana natural
  • Dúvidas e Questões
Iremos ainda preparar uma receita vegetariana simples e prática assim como provavelmente teremos alguns produtos vegetarianos do “Gosto Natural” para degustação.

Projecto Segredos da Horta
Segredos da Horta é um projecto que tem por finalidade a divulgação da "Alimentação Vegetariana Natural" nas suas diversas vertentes: nutricional, prática e filosófica. Desenvolve-se, principalmente, pela realização de "Oficinas" de Formação em Alimentação Vegetariana, assim como Cursos e Sessões Práticas. O projecto tem também por finalidade a realização de iniciativas e actividades, como por exemplo Palestras, Almoços e Jantares Vegetarianos, Pic-Nics e Encontros, entre outros, com o principal objectivo de dar a conhecer e levar a experimentar a Alimentação Vegetariana Natural.

O Formador – apresentação
Pedro Jorge Pereira, vegetariano há cerca de 13 anos, boa parte deles de forma integral (Vegan) foi cozinheiro no Restaurante Nakité, no Porto, e Daterra, em Matosinhos, tendo integrado também a Associação Cultural Casa da Horta. Actualmente tem por principal missão, tentando desmistificando preconceitos e mitos variados, divulgar a alimentação vegetariana natural junto de mais pessoas. É formador e dinamizador do projecto Segredos da Horta. Tem simultaneamente vindo a colaborar e desenvolver vários outros projectos e iniciativas na área da alimentação vegetariana natural e da educação ecológica e social.

Organização e Inscrições:
Casa da Juventude de S. Mamede de Infesta
22 906 98 60
ou casadajuventude.smi@gmail.com

Apoios:
Centro Vegetariano
Gosto Natural

Mais informações sobre o Segredos da Horta
Segredos da Horta – Alimentação Vegetariana Natural
Pedro Jorge Pereira 93 4476236


Tuesday, November 29, 2011

Entrevista a família vegetariana - um testemunho nas "1ªpessoas" ;O)

Aqui segue um breve testemunho que ajuda, sobretudo, a desmistificar a ideia de que se ser vegetariano é um "bicho de 7 cabeças". Neste caso um testemunho da família que tenho o enorme privilégio de constituir ;O)
Espero que seja útil mesmo que possam não concordar com tudo o que se escreve
Abraços e Beijinhos
Pedro Jorge Pereira - Segredos da Horta

Copyright Centro Vegetariano. Reprodução permitida desde que indicando o endereço: http://www.centrovegetariano.org/Article-581-Entrevista%2Ba%2Bfam%25EDlia%2Bvegetariana.html

Cristina Gomes, 30 anos, psicóloga e Pedro J. Pereira, 32 anos, formador eco social são pais do Pedro com 3 anos e da Inês com 6 meses.
O Centro Vegetariano pediu-lhes que partilhassem connosco as suas experiências como família vegetariana.


Que tipo de alimentação seguem os pais e desde que idades?

Pjp: Deixei de ingerir qualquer tipo de carne há cerca de 17 anos e peixe há cerca de 11 anos. Durante algum tempo cheguei a praticar de forma plena o veganismo. Neste momento consumo ocasionalmente algum tipo de queijo mais artesanal e ovos biológicos.

Cris: No meu caso, primeiro deixei os ovos e os lacticínios por volta dos 24 anos. Pouco tempo depois deixei de comer carne. Com 25 anos, deixei igualmente de consumir peixe, tendo-me tornado nessa altura praticamente vegana. Foi na minha primeira gravidez que voltei a consumir ovos e queijo, tendo assumido desde essa altura uma alimentação vegetariana, que ainda mantenho atualmente.


Cristina, que idades tinhas aquando das gravidezes?

Cris: Quando soube que estava grávida pela primeira vez tinha 26 anos e na segunda vez tinha 29 anos.


Durante as gravidezes foram incluídos ou excluídos alguns hábitos alimentares, por exemplo, toma de suplementos? Se sim, quais foram as alterações feitas?

Cris: Na primeira gravidez tomei o mesmo que toma a maioria das grávidas, ácido fólico no primeiro trimestre e iniciei a toma do ferro a partir do segundo trimestre. No entanto como não me sentia muito bem com a suplementação e os níveis de ferro estavam ótimos, acabei por pouco tempo depois parar de tomar a medicação.

Na segunda gravidez tomei o ácido fólico no primeiro trimestre e depois não tomei mais nada. No entanto, como no final da gravidez me sentia mais cansada que o habitual e os níveis de ferro e vitamina B12 estavam um pouco mais baixos, aceitei a sugestão de suplementar ambos.


Optam por que tipo de medicina para vocês e para as crianças? Como agem em relação à vacinação?

Pjp: O tipo de medicina que praticamos é essencialmente “preventivo”. Ou seja, temos uma preocupação (descontraída) particular com a nossa alimentação e estilo de vida em geral. Para os nossos filhos confiamos numa médica que tendo uma formação “convencional” neste momento segue uma linha com uma abordagem profundamente holística e essencialmente de pendor homeopático. Em situações muito esporádicas recorremos à medicina convencional.

Em relação à vacinação neste momento olho-a com total desconfiança. Basta pensar, por exemplo, que os planos de vacinação são bastante diferentes de país para país, em função, por exemplo, das diferentes farmacêuticas que comercializam as vacinas. Existem enormes lacunas relativamente ao estudo e avaliação dos ditos “efeitos secundários” da vacinação. Obviamente que existe uma “cultura” de medo e forte pressão científica para implementar a vacinação, e regra geral essa pressão é extremamente eficaz. Muito poucos pais ousam colocar em causa o “dogma” da vacinação ou sequer pesquisar informação independente sobre o tema. Nós fizemos isso e, em função da informação que recolhemos, a minha forma de olhar para a vacinação mudou por completo. Até admito que nalguns casos possam haver alguns benefícios, mas os possíveis impactos negativos (nomeadamente até com a combinação de diferentes vacinas) são em larga medida sonegados, como se as vacinas fossem perfeitas e não tivessem qualquer efeito secundário grave. Parece-me algo estranho as vacinas serem tão “perfeitas” se os próprios medicamentos convencionais que não são tão “invasivos” como as vacinas têm imensos efeitos secundários.

Cris: De facto acreditamos essencialmente que a saúde não está isolada do contexto em que vivemos. Daí procuramos que os nossos filhos (e nós mesmos claro) vivam de uma forma o mais harmoniosa possível, com contacto com a natureza, uma alimentação cuidada e exercício físico. Mente sã, corpo são. Quando a doença surge, procuramos seguir uma via o mais natural possível, observando e dando tempo e espaço a que o corpo e as suas defesas naturais se manifestem. O nosso filho mais velho apenas uma vez tomou antibiótico a partir daí foi sempre seguido pela médica, sendo utilizada apenas medicação homeopática ou natural.

Quanto à vacinação, após termo-nos informado mais acerca do assunto, acabamos por decidir que não iríamos vacinar mais o nosso filho (nos primeiros 9 meses recebeu todas as vacinas do plano nacional de vacinação) e à nossa segunda filha já não lhe foi administrada qualquer vacina.


Procuraram informações mais detalhadas sobre alimentação e suplementação da mãe e crianças quando decidiram ter filhos? Onde?

Cris: Sim, bastante. A principal fonte foi a Internet. Depois por parte dos profissionais que acompanharam de perto a minha gravidez e eles mesmos foram esclarecendo algumas duvidas e/ou dando algumas sugestões.

Pjp: Recolhi alguma informação mais junto de amigos vegetarianos que também são pais.


Os bebés foram/são amamentados? Se não, como foi/é feita a alimentação?

Cris: Sim, o nosso primeiro filho foi amamentado até aos 20 meses e a segunda filha está a ser igualmente amamentada.


Com que idade começou o Pedro a comer outros alimentos que não o leite materno e que tipo de comidas?

Cris: Tive de introduzir outros alimentos aos 5 meses para lhe dar tempo de se adaptar antes de eu ir trabalhar. Os alimentos que começou por ingerir foram frutas esmagadas (pera e banana crua, maçã cozida) e papas caseiras feitas com o meu leite, fruta e farinhas integrais.

Pjp: A farinha de arroz ou de aveia, só para citar dois exemplos, são excelentes. Normalmente as pessoas vegetarianas, quando praticam uma alimentação diversificada, acabam por conhecer muito mais opções e possibilidades do que as pessoas omnívoras. Infelizmente, a grande maioria das pessoas ainda acaba por optar pelas papas “industriais”. Sem grande noção ou conhecimento de todos os aspetos negativos que elas têm (presença de substâncias conservantes, por exemplo).


Vão educar os vossos filhos na ética e alimentação vegetarianas?

Pjp: Sim, certamente. Não é algo que queiramos impor, mas é um valor preponderante na nossa alimentação e especialmente filosofia de vida. Creio que nossa educação será sempre alicerçada no vegetarianismo como um valor ético, ecológico e espiritual fundamental, mas também pretendemos respeitar a liberdade de escolha dos nosso filhos. Se mais tarde eles optarem por comer carne, por muito que isso nos custetentarei respeitar essa opção. Mas fará parte do meu trabalho educativo fornecer-lhes toda a informação porque considero a exploração das outras espécies animais e em particular o consumo de carne tão nefasto para o equilíbrio ecológico do nosso planeta e para o desenvolvimento civilizacional da nossa sociedade. Para além da própria saúde claro.

Cris: Sim, pelo menos enquanto formos nós a escolher o que eles comem! E se depois decidirem seguir um regime alimentar diferente, tentaremos fazer com que pelo menos tenham consciência do que significa e está por trás de um bife no prato ou uma sardinha no fogareiro...


Utilizam produtos ecológicos e veganos para os bebés (fraldas, champôs, cremes, etc.)? Sentem alguma dificuldade em encontrá-los no mercado?

Cris: Tentamos que todos os produtos que consumimos sejam o mais naturais possíveis e tenham o menor impacto ecológico que conseguirmos. Não sentimos dificuldade em encontrá-los porque já sabemos onde os procurar, mas claro que não estão ainda presentes em qualquer supermercado como seria de desejar.

Pjp: Apoiamos projetos e produtos éticos, ecológicos e preferencialmente não comercializados por grandes grupos multinacionais. Creio que é fundamental sabermos viver mais com menos, e esse processo implica todo um esforço de reaprendizagem e reflexão. Mas à parte destas reflexões, sim, sem dúvida, quando compramos tentamos sempre fazê-lo da forma o mais ética, ecológica, económica e socialmente justa. Mesmo que por vezes isso possa implicar ter de pagar mais. Mas mesmo isso é relativo, se calhar por isso mesmo, e dentro das nossas contingências económicas, acabamos por comprar só aquilo que é mesmo essencial.


A nível social e familiar sentiram/sentem discriminações por não serem omnívoros?

Cris: Nem sempre é fácil para quem não é vegetariano aceitar que uns pais tentem educar os seus filhos de forma a serem vegetarianos desde que nascem... Na medida daquilo que é possível tentamos que compreendam as nossas opções, sem grandes expectativas claro, uma vez que às vezes não é mesmo possível fazer surgir essa compreensão. No entanto, basta olhar para o nosso filho e ver como cresce saudável, vigoroso e cheio de energia, para perceber que está ótimo! E isso tem sido de longe o maior argumento que poderia existir em favor do vegetarianismo.

Pjp: De certa forma acho que não, talvez só alguma pressão, mas nada de muito significativo. Creio que as pessoas que me conhecem sabem o quanto o vegetarianismo tem sido crucial no meu estilo de vida e por isso parece-me quase óbvio que seria impensável que fosse educar os nossos filhos de uma forma diferente. O melhor argumento que podemos utilizar é demonstrar a vitalidade e saúde dos nossos filhos. E de facto é importante percebermos quando as pessoas perguntam ou fazem algum comentário realmente com alguma abertura de espírito, ou intuito de perceber algo, ou então simplesmente para provarem o seu ponto de vista e dogmas pró-alimentação carnívora. E nessas situações creio que não vela a pena gastar energia.


Já decidiram como agir no futuro próximo quando as crianças interagirem com grupos de amigos e familiares? Vão permitir, por exemplo, que experimente comer produtos de origem animal na escola ou noutros eventos?

Cris: O nosso filho interage desde que nasceu com pessoas que seguem um regime alimentar diferente do nosso e já aconteceu por exemplo ele provar leite de vaca e automaticamente rejeitar por não gostar. Quanto à carne e ao peixe ele mesmo já diz que não come porque é vegetariano. Fizemos sempre questão de lhe dizer que habitualmente as pessoas comem carne e peixe.

Se acontecer de ele insistir em comer produtos de origem animal e eu estiver presente, tentarei que ele perceba o que está a querer comer e oferecer-lhe-ei uma alternativa dentro dos alimentos que comemos. Se ainda assim ele insistir em provar penso que o deixaria provar.

Pjp: Quando eles forem um pouco maiores, terei sempre a preocupação de lhes mostrar como a “carne é produzida” e como os animais são explorados e submetidos a tanto sofrimento para que aquele bife ou salsicha possa estar no prato. Pelo menos, se mesmo assim decidirem ou quiserem tanto comer carne, não será certamente com desconhecimento (ou encobrimento) de toda a sinistra realidade que está por detrás de um bife.



Copyright Centro Vegetariano. Reprodução permitida desde que indicando o endereço: http://www.centrovegetariano.org/Article-581-Entrevista%2Ba%2Bfam%25EDlia%2Bvegetariana.html

Friday, April 09, 2010

Casa Índigo: O vegetarianismo


É considerado pelos seus seguidores uma opção válida e consciente, mas o elevado grau de ignorância da maioria das pessoas relativamente a esta matéria é a origem de um sem número de equívocos e informações incorrectas. Convém dar a conhecer os alicerces de suporte desta opção de vida, cada vez mais actual e necessária.

O termo vegetarianismo, vem do latim vegetare que significa dar vida ou animar e consiste num regime alimentar no qual não se consome nenhum tipo de carne, quer seja vermelha ou branca, peixe ou marisco. Divide-se em três grupos distintos:

* O lacto-ovo-vegetarianismo – regime alimentar que exclui a carne e o peixe, mas que permite a ingestão de ovos, de leite e dos seus derivados. É o mais comum, por isso é muitas vezes abreviado para vegetarianismo.


* O lacto-vegetarianismo – igual ao interior, mas que exclui o consumo de ovos.


* O vegetarianismo puro, ou veganismo — exclui carne, peixe, ou produtos que impliquem a exploração animal como os ovos, o leite, os seus derivados e o mel. Os vegans não utilizam vestuário de lã ou couro, cosméticos testados em animais e suplementos alimentares com derivados animais.


A alimentação comum envolve muitos outros alimentos que não as carnes, portanto desenganem quem julga que um vegetariano é apenas um comedor de saladas. A maioria dos vegetarianos são gourmets exigentes, que têm prazer em saborear uma refeição, tal como qualquer outra pessoa e que consomem todo tipo de pratos, incluindo sobremesas e doces, desde que não contenham proteínas animais.

Existem vários argumentos a favor do vegetarianismo, como: o respeito pelos animais, a preservação do meio ambiente, a preocupação com a saúde humana, a fisiologia digestiva do homem e a eficiência económica.

Ética
Os animais são seres vivos distintos dos outros por terem um sistema nervoso, mais ou menos desenvolvido, que lhes permite experimentar o sofrimento. São sensíveis e capazes de sentir dor, física ou psicológica. Sendo nós seres sensíveis e interessados em permanecer vivos, em liberdade e sem sofrer, temos de concluir que o mesmo se passa com os animais. Sejam insectos, moluscos, peixes, anfíbios, répteis, aves ou mamíferos. Assim, a obrigação ética mais elementar passa por respeitar o seu direito a vida, a existência em liberdade e bem-estar físico, com consequente perpetuação da sua vida. Esta perspectiva moral é a pedra angular do movimento vegetariano e segundo os seus seguidores deveria ser mais do que suficiente para a adopção deste regime alimentar.

Ecologia
Não é preciso ser um especialista para saber que o equilíbrio ecológico do planeta é condição primordial a sobrevivência de todos os seres vivos que nele habitam. Nós, humanos, somos responsáveis pela sua preservação, pois as nossas acções influenciam directamente este equilíbrio. Tal responsabilidade, adquire ainda maior relevância se considerarmos que das nossas opções depende não só a nossa sobrevivência, mas também a dos animais.

Sabemos que a pecuária, não só a industrial mas também a biológica, é uma das actividades com major impacto no ambiente. Implica consumo de grandes quantidades de água potável, ocupação de vastas áreas de terreno para o cultivo de cereais, gasto de combustíveis fosseis e utilização massiva de pesticidas e drogas. Daqui, resulta a erosão do solo, a escassez e contaminação dos lençóis de água, a destruição das florestas tropicais e a desertificação de extensas áreas da superfície terrestre.

Passemos a um exemplo prático, todos os anos cada vez mais campos de cultivo são instalados em solos inicialmente cobertos por floresta tropical. Ao contrário do que se pode pensar, o constante desflorestamento da Amazónia deve-se sobretudo a criação de campos de cultivo de soja para alimentar gado de palres desenvolvidos ou para construir pasto para o gado brasileiro. As madeireiras, a abertura de estradas e a ocupação desordenada, tem apenas papéis secundários nesta destruição.

De salientar, que a desflorestação implica não só a erosão dos solos (perda de nutrientes e de agua) como a diminuição drástica da biodiversidade vegetal e animal. Tal desencadeia uma série de mecanismos que culminam no aumento da temperatura global, responsável pela ocorrência de desastres naturais.

A indústria pesqueira também contribui para o desequilíbrio ecológico. Os navios pesqueiros poluem rios e oceanos e contribuem para a destruição dos sistemas marinhos, pelos peixes que capturam. Esta actividade está a eliminar a uma velocidade alarmante os stocks marinhos. Por exemplo, há vários anos que os especialistas alertam para o facto das populações de bacalhau, não conseguirem recuperar da pesca intensiva, correndo sério risco de extinção.

A pesca ocasional e a captura de tartarugas, golfinhos, focas, leões-marinhos, tubarões e pequenos cetáceos, animais com reconhecida importância no equilíbrio dos mares, põe em risco a sua função reguladora. A actividade pesqueira polui as águas onde estas espécies vivem e interfere nos seus ciclos de vida, sendo responsável pela redução drástica das suas fontes de alimento, reduzindo o seu número de efectivos e a estabilidade dos ecossistemas marinhos.

No vegetarianismo opta-se por não consumir produtos animais, por motivos éticos filosóficos, ecológicos, religiosos, de saúde ou de bem-estar.

Saúde
Um dos muitos problemas inerentes ao consumo de carne é a sua toxicidade. Os animais podem acumular contaminantes químicos, numa concentração 14 vezes superior a verificada nos alimentos de origem vegetal. Basta lembrar que são alimentados com rações enriquecidas com hormonas e antibióticos. Ao serem abatidos sob anestesia e em situações de stress, libertam adrenalina em excesso, contaminando ainda mais a carne. Estes aditivos quando em contacto com o nosso organismo, podem originar doenças nos sistemas imunitárias e reprodutor.

Povos adeptos de uma dieta rica em produtos animais são mais susceptíveis de desenvolverem doenças como o cancro da mama, da próstata ou do cólon. Verificando-se ainda colesterol elevado, hipertensão, ataques cardíacos, obesidade, osteoporose, artrite, diabetes, asma, pedra nos rins e impotência. As culturas asiáticas, nas quais a ingestão de carne é mais restrita, apresentam uma menor probabilidade da ocorrência destes problemas.

Economia
A opção pelo vegetarianismo pode ser uma solução para muitos dos problemas económicos que afectam o planeta terra. Estudos brasileiros apontam que em cada segundo, uma área florestal do tamanho de um campo de futebol é utilizada na produção de apenas 257 hamburguers de vaca. Um boi precisa em media 3,5 hectares de terra para produzir 200 kg de carne, num período de quatro a cinco anos. Estima-se que na mesma área seja possível produzir, consoante o tipo de cultura, cerca de: 19 toneladas de arroz; 32 de soja, 34 de milho, 23 de trigo e 8 de feijão, se pensarmos numa colheita anual, sendo que nesta região são comuns duas a três colheitas por ano. Da mesma forma, os animais consomem ao longo da vida o valor correspondente a quatro vezes a produção mundial de cereais destinada ao consumo humano, alimentando depois aqueles que os podem pagar, enquanto cerca de 815 milhões de pessoas, no mundo inteiro, passam fome. Assim, o facto da procura mundial de cereais exceder em muito os limites da sua produção e uma consequência directa do consumo de carne.

Na produção de uma dieta carnívora utilizam-se 48 m litros de água por dia, 2400 litros diários seriam o suficiente para a produção de uma alimentação vegetariana.

A produção de carne é menos saudável e também muito menos eficiente, quando comparada com a de vegetais. Em media, para cada refeição de carne produzida são usados os recursos naturais que poderiam servir para produzir 10 refeições vegetarianas.

Quando a fome no mundo e o aumento da rentabilidade dos recursos terrestres se tomam cada vez mais sérios, a alimentação vegetariana surge como uma dieta rentável que pode contribuir para uma franca melhoria da situação.

Fisiologia
Os humanos são omnívoros, podem alimentar-se de todo o tipo de alimentos, mas possuem características digestivas fisiológicas mais próximas dos herbívoros, que dos carnívoros. Exemplo disso é a presença de uma dentição com grande número de dentes incisivos e molares e um tracto digestivo longo, adaptado a digestão de legumes, frutas e cereais e em menor grau a digestão de proteínas animais. Estas tem tendência a acumular-se sob a forma de resíduos tóxicos no intestino, contribuindo para o aparecimento de doenças.

As espécies carnívoras exibem dentes caninos encurvados e um tubo digestivo curto, no sentido de favorecer a rápida digestão, o processamento e a eliminação da carne antes que ela entre em decomposição no organismo.

Esta vantagem fisiológica confere ao homem o poder de escolha, no que respeita a alimentação. Sabendo que todos os alimentos são potencialmente digeríveis pelo nosso sistema digestivo, resta a cada um de nós escolher o que come de acordo a sua consciência.


QUEM OPTA PELO VEGETARIANISMO DEVE SABER:

Proteínas
Não é necessária a ingestão de produtos de origem animal para a obtenção de proteínas completas, ricas em aminoácidos essenciais. A conjugação de duas proteínas vegetais, uma cereal e outra leguminosa, como o arroz e o feijão, são suficientes para fornecer os aminoácidos necessários. Alguns vegetais como a soja contêm teores proteicos superiores aos da carne. Outras fontes de proteína incluem produtos derivados da soja, substitutos da carne, lentilhas, frutos de casca rija, sementes, alimentos integrais e leguminosas.

Ferro
O ferro não existe apenas na carne, mas também em vários legumes (em especial nos de folha verde escura, como os espinafres), nos cereais e nas leguminosas. Para ajudar o organismo a absorver ferro, consuma alimentos ricos em vitamina c (morangos, citrinos, tomates, couve e brócolos) e outros ricos em ferro. Está comprovada que a incidência de anemia por deficiência de ferro é semelhante em vegetarianos e não vegetarianos.

Cálcio
Os lacto-ovo-vegetarianos têm uma ingestão de cálcio igual ou superior a dos não-vegetarianos, mas o mesmo não se passa com os vegan.

A ingestão de álcool, café, açucares, alimentos com elevado teor de proteína animal e lacticínios provocam acidificação do organismo. Na presença de demasiado ácido, o organismo utiliza o cálcio para Neutralizar o PH, gastando grande parte do mineral ingerido através da alimentação. É certo, que um vegan parece ter menor necessidade de cálcio, porque a sua alimentação pobre em proteínas totais é também mais alcalina. Neste caso, o cálcio ingerido não tendo necessidade de ser utilizado como tampão, é totalmente absorvido pelos ossos, satisfazendo as necessidades do organismo. Os legumes de folha verde como os brócolos e as couves são ricos em cálcio. O tofu, os sumos de fruta e o leite de soja enriquecidos com cálcio são alternativas saudáveis.

Vitamina B12
Poucos alimentos vegetais contêm vitamina B12, na maioria destes casos estamos na presença de forma inactiva, incapaz de ser absorvida. Este é o único caso em que um vegan deve recorrer a um suplemento alimentar, os restantes vegetarianos podem encontrar a vitamina nos ovos e nos lacticínios. Os alimentos de uma dieta vegetariana são na sua maioria facilmente digeríveis. Isentos de toxinas, antibióticos e hormonas.

O vegetarianismo permite a ingestão de elevados teores de vitamina C, A, E, beta-carateno, magnésio e fibras, limitando o colesterol e a gordura saturada e contribuindo para a redução doenças relacionadas com a alimentação.

Monday, March 01, 2010

Consumo de carnes e peixes representa desperdício, diz relatório da ONU


Consumo de carnes e peixes representa desperdício, diz relatório da ONU
ANNE CHAON
da France Presse, em Paris
Atualizado às 12h44.

Acostumados ao título de "topo absoluto da cadeia alimentar", os seres humanos se dão ao luxo de comer de tudo, mas a um preço elevado: a pesca massiva está levando as espécies marinhas à extinção, e a piscicultura polui a água, o solo e a atmosfera. São importantes motivos para mudança de hábitos.
Vote na enquete: Você deixaria o consumo de carne e derivados animais?
Alimentar a humanidade --nove bilhões de indivíduos até 2050, segundo as previsões da ONU-- exigirá uma adaptação de nosso comportamento, sobretudo nos países mais ricos, que precisarão ajudar os países em desenvolvimento.
Segundo um relatório da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), publicado nesta terça-feira (23), a produção mundial de carne deverá dobrar para atender à demanda mundial, chegando a 463 milhões de toneladas por ano.
A situação se agrava com a ocidentalização de hábitos e o enriquecimento: um chinês que consumia 13,7 kg de carne em 1980, por exemplo, hoje come em média 59,5 kg por ano. Nos países desenvolvidos, o consumo chega a 80 kg per capita.
"O problema é como impedir que isso aconteça. Quando a renda aumenta, o consumo de produtos lácteos e bovinos segue o mesmo caminho: não há exemplo em contrário no mundo", destacou o cientista Hervé Guyomard.
Ele é diretor científico em Agricultura do Instituto Nacional de Pesquisa Agrônima da França (INRA), responsável pelo relatório Agrimonde sobre "os sistemas agrícolas e alimentares mundiais no horizonte de 2050".
Desperdício com ração
Atualmente, a agricultura produz 4.600 quilocalorias por dia e por habitante, o suficiente para alimentar seis bilhões de indivíduos.
Deste total, no entanto, 1.500 são dedicadas à alimentação dos animais --que só restituem em média 500 calorias na mesa--, 800 se perdem no campo (pragas, insetos, armazenamento), e 800 são desperdiçadas nos países desenvolvidos de outras formas.
O desperdício é grande, pois mais de um terço (37%) da produção mundial de cereais serve para alimentar o gado --56% nos países ricos-- segundo o World Resources Institute.
O gado custa caro ao ambiente: 18% das emissões de gases causadores do efeito estufa, segundo a FAO (mais que os transportes) ou 51%, segundo o World Watch Institute (mais que a geração de energia).
A pecuária também custa 8% do consumo de água e 37% do metano, que colabora para o aquecimento global 21% mais que o CO2 emitido pelas atividades humanas.
Não rentável
E, mesmo que seja uma possível fonte de proteínas, a carne bovina não é "rentável" do ponto de vista alimentar: "são necessárias três calorias vegetais para produzir uma caloria de carne de ave, sete para uma caloria de porco e nove para uma caloria bovina", explicou Guyomard.
Substituir o consumo de carne de animais terrestres pela carne de peixe não seria ainda uma alternativa adequada.
"Os oceanos não podem ser considerados uma despensa inesgotável", estimou Philippe Cury, diretor de pesquisas do Instituto de Pesquisas para o Desenvolvimento (IRD).

O número de pescadores é duas a três vezes superior à capacidade de reconstituição das espécies.
No atual ritmo, a totalidade das espécies comerciais terá desaparecido em 2050.
Ativistas como do grupo paulista Veddas defendem como solução o veganismo, abstenção de todo tipo de produto derivado de animais.
Justificam que, além de haver o impacto ambiental gerado pela pecuária, "animais têm o direito à vida e à liberdade, livres da exploração humana".
A Associação Dietética Americana, maior do mundo, aprova nutricionalmente este tipo de dieta.

Tuesday, January 19, 2010

Curso de Introdução à Alimentação Vegetariana Natural, 30 e 31 de Janeiro




Curso de Introdução à Alimentação Vegetariana Natural, Janeiro de 2010
Segredos da Horta
Introdução à Alimentação Vegetariana Natural

Edição de Janeiro – 30 e 31, das 10h30 até às 18h00
Contribuição: 65,00 €

Curso de Introdução à Alimentação Vegetariana Natural,
Somos aquilo que comemos. Sendo a alimentação tão preponderante naquilo que somos e fazemos porque é que, tantas vezes, praticamos uma alimentação tão insconciente e descuidada? Não acaba por ser inevitável o surgimento de tantos problemas de saúde associados ao nosso estilo de vida e alimentação insconciente? O Curso de Introdução à Alimentação Vegetariana Natural é uma óptima oportunidade para investir em algo tão importante como a alimentação. Aprender a cozinhar e comer de forma consciente, equilibrada, eticamente e ecologicamente em harmonia, aprender alguns dos fundamentos mais importantes na alimentação vegetariana natural. Com todo o gosto! Claro.

A alimentação vegetariana, em geral, é uma alimentação ecologicamente mais sustentável, eticamente mais correcta, nutricionalmente mais diversificada e rica e sem dúvida
deliciosa e atraente

Ao longo da história, e ao contrário do mito que vai prevalecendo de que o Homem é essencialmente omnívoro, diversas civilizações e algumas figuras particularmente proeminentes da história da humanidade praticavam e praticam, por diversas razões, uma alimentação essencialmente vegetariana (Leonardo da Vinci, Platão, Sócrates, Henry David Thoreau, entre outros).
Ainda que vivendo numa sociedade onde o consumo de carne é comum e predominante, o vegetarianismo por motivos de ordem ética, ecológica, religiosa e espiritual encontra-se cada vez mais difundido, estando também implícito em novos paradigmas de aproximação da humanidade à Natureza.
O ser vivo (o ser humano) é um ser constituído por uma dimensão biológica, psicológica e espiritual. A nutrição não é pois a mera satisfação de uma necessidade biológica elementar mas, muito mais do que isso, é um processo de transmissão energética e de profundo inter-relacionamento do ser vivo com o meio onde se insere. Logo, daí se depreende que um alimentação que tem por base o sacrifício e sofrimento de milhares de animais tem um enorme potencial de gerar profundas desarmonias desde logo ao nível da própria saúde de quem se alimenta principalmente de carne. O Vegetarianismo é uma opção cada vez mais válida, eticamente correcta e, em geral, ecologicamente mais sustentável. Conhecê-lo é entrar num fascinante mundo de sabores, paladares e alimentos.
"Conhecimento que não se transmite é conhecimento condenado à sua própria extinção."
Segredos da Horta
Segredos da Horta é um projecto que tem por finalidade a divulgação da "cozinha vegetariana" nas suas diversas vertentes: nutricional, psico-biológica e filosófica. Consiste, essencialmente, na realização de "oficinas" práticas de formação no decorrer das quais são transmitidos conhecimentos práticos de confecção e preparação de refeições vegetarianas segundo princípios básicos de uma alimentação natural e saudável.
Segredos da Horta é pois uma nova forma de olhar para a arte da nutrição.
É uma nova forma de desmistificar ideias pré-concebidas e dar a conhecer esse mundo tão fascinante que é o da alimentação e nutrição vegetariana. Porque a alimentação vegetariana não é só "comer vegetais" mas sim, e muito mais, uma forma diferente e talvez melhor de estar na vida. Uma forma simples, consciente e deliciosa!

O Hortelão
Pedro Jorge Pereira, vegetariano há cerca de 9 anos, na maior parte deles de forma integral (Vegan) é cozinheiro vegetariano profissional desde 2002. Foi cozinheiro no Restaurante Nakité, no Porto, e Daterra, em Matosinhos, integrando neste momento a Associação Cultural Casa da Horta. É formador sobretudo no projecto Segredos da Horta. Tem simultaneamente vindo a colaborar e desenvolver vários outros projectos e iniciativas na área da alimentação vegetariana natural e de educação ecológica e social.

"A alimentação vegetariana, muito mais do que uma mera opção enquanto regime alimentar, representa uma forma de estar na vida e de encarar a saúde como um todo. Pratico um regime alimentar vegetariano desde há alguns anos e tenho vindo a descobrir no mundo da alimentação vegetariana todo um universo fascinante e repleto de conhecimento e sabores. Conhecimento esse que, ao contrário do que dizem diversos mitos pré estabelecidos em relação ao mesmo, é muito simples de desenvolver e colocar em prática no dia-a-dia."
Pedro Jorge Pereira

Oficinas
As oficinas a realizar serão compostas por uma introdução teórica, na qual serão abordados alguns dos conceitos principais relacionados com uma nutrição consicente e natural, sendo depois seguidas da componente prática nas quais são preparados e confeccionados diversos pratos vegetarianos.
Durante a parte prática são preparados Menus vegetarianos compostos de entradas, sopa, prato principal e sobremesa.
No final de cada oficina decorre uma refeição onde são saboreados os pratos confeccionados.

Principais conceitos abordados
Principais motivos para adoptar uma alimentação vegetariana
Diferentes tipos de vegetarianismo
Noções básicas de nutrição vegetariana
Ingredientes / Condimentos básicos numa alimentação vegetariana Natural
Alguns dos princípios mais importantes a seguir numa alimentação vegetariana

Sábado, 30 de Janeiro – manhã
Formação teórica
Paté de Tofu e Ervas
Salada de Quinoa com rebentos germinados
Pudim de Sêmola e Pêra

Sábado, 30 de Janeiro – tarde
Formação teórica
Entrada: Pãezinhos de Ervas
Prato principal: Souflé de Grão com Alho Francês
Acompanhamento: Cous-Cous Exótico com Legumes Estufados
Sobremesa: Mousse de Alfarroba

Domingo, 31 de Janeiro – manhã
Extra: Papas de cereais para pequeno almoço
Sopa: Caldo de Azuki
Prato principal: Tofu Assado no Forno com Molho de Gengibre
Acompanhamento: Arroz Integral e Legumes no Vapor com Sementes
Sobremesa: Bolo de Especiarias

Domingo, 31 de Janeiro - tarde
Formação teórica – encerramento da formação

O valor do curso incluí:
- Formação durante a oficina (2 dias completos) e acessoria em alimentação natural após;
- Refeições;
- Oferta de livro;
- Caderno com os materiais pedagógicos e receitas;

mais informações e incrições em:

Segredos da Horta - Pedro Jorge Pereira
93 4476236
segredosdahorta@gmail.com
http://segredosdahorta.blogspot.com/


Número de inscrições limitado (por razões de ordem logística). Prioridade de acesso ao curso por ordem de inscrição.
Contribuição: (inclui curso completo, refeições e manual): 65 hortinhas

Friday, December 25, 2009

O impacto da produção da carne no ambiente



O impacto da produção da carne no ambiente é colossal face à produção de vegetais. Em 1997 quando nos EUA, existiam pouco mais de 265 milhões de pessoas (1), no relatório (2) publicado nesse ano pela Universidade de Cornell, afirmava que os EUA podiam alimentar 800 milhões de pessoas com o grão que era dado ao gado. No mesmo relatório afirma-se também que são necessários oito vezes mais combustíveis fósseis para produzir proteína animal do que proteína vegetal e que a primeira é apenas 1,4 vezes mais nutritiva do que a segunda.

A adicionar a este aspecto, a produção de alimentos animais consome volumes muito elevados de recursos hídricos. Num mundo onde actualmente um terço (3) da população não tem acesso a água para as suas necessidades diárias a escassez deste recurso torna-se cada vez maior, à medida que a população aumenta e países como a Austrália (4), Argentina (5), ou estados como a Califórnia (6) se vêem assolados por secas severas. Sendo assim, é necessário gerir melhor este recurso que é a base da vida no nosso planeta. A partir do gráfico ao lado é possível observar a quantidade de água necessária para a produção de um quilograma de diferentes alimentos, com os alimentos animais a dominarem o topo da escala, como os mais consumidores sendo que, um quilograma de carne bovina necessita mais de 700% de água do que um quilograma de feijão de soja.

Embora o consumo de combustíveis fósseis e o consumo de água já sejam factores muito importantes, é importante também ter em conta que, em 25 anos 40% da floresta Amazónica já foi destruída (7), isto para campos para alimentar o gado que é servido à mesa dos países industrializados.

Por fim, é também importante referir o impacto dos gases com efeito de estufa, provenientes das criações animais. Uma vez mais, a pecuária surge no topo da lista, pois a fermentação entérica dos ruminantes dos quais se destacam os bovinos, são os maiores responsáveis pela emissão de metano, gás que, embora em termos de quantidade libertada venha a seguir ao dióxido de carbono, é 21 vezes mais poluente (8).

Em resumo, a fermentação entérica é um processo que decorre na digestão dos ruminantes onde através da fermentação os micróbios tornam o alimento, digerível pelo animal e, é neste processo que é produzido o metano (9).

Note-se ainda que se juntar as emissões dos processos digestivos ao estrume, a pecuária afasta-se ainda mais dos outros responsáveis pela emissão do metano. De forma a ficar com uma ideia mais concreta, e se falarmos do dióxido de carbono, um quilograma de carne de vaca produz tanto dióxido carbono quanto uma viagem de 250km de carro (10).

A indústria pecuária é a actividade que mais contribui para os gases com efeito de estufa, ultrapassando as emissões do sector dos transportes (automóveis, aviões e outros veículos), sendo assim responsável pela emissão de 18% de gases que contribuem para as alterações climáticas (11).

Assim pode verificar-se que a produção de carne produz uma factura ambiental muito grande, através do consumo de combustíveis fósseis, do consumo de recursos hídricos, de solo e ainda é um grande produtor de gases com efeito de estufa. Portanto é responsabilidade de cada um, o Planeta que se quer deixar às gerações futuras.

Talvez por isso é que Lord Stern, antigo economista chefe do Banco Mundial e actual professor na London School of Economics alertou aos leitores do Times, que uma dieta vegetariana é melhor para o ambiente (12).


Referências:
(1) Population Profile of the United States (1997), U. S. Department of Commerce
(2) http://www.news.cornell.edu/releases/aug97/livestock.hrs.html
(3) http://www.who.int/features/factfiles/water/en/index.html
(4) http://www.mdba.gov.au
(5) http://www.bbc.co.uk/weather/world/news/25012009news.shtml
(6) http://www.water.ca.gov/drought/
(7) http://www.prijatelji-zivotinja.hr/index.en.php?id=442
(8) http://pollution.unibuc.ro/?substance=3
(9) http://www.epa.gov/methane/sources.html
(10) http://www.newscientist.com/article/mg19526134.500
(11) Livestock Long Shadow, FAO (2006) - http://www.fao.org/docrep/010/a0701e/a0701e00.HTM
(12) http://www.timesonline.co.uk/tol/news/environment/article6891362.ece

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Monday, August 17, 2009

Vacas e ovelhas poluem mais do que os carros



Vacas e ovelhas poluem mais do que os carros

por BRUNO ABREU

Apesar do ar inofensivo, vacas, búfalos ou camelos são das maiores ameaças para o ambiente. A produção de carne e as emissões de gases destes animais contribuem em 18% para o aumento do aquecimento global. Mais do que o sector dos transportes (13,5%). A solução passa por mudar a alimentação do gado, mas também a nossa, reduzindo o consumo de carne.

Está a pensar trocar o seu automóvel por um carro de bois para ajudar o ambiente? Esqueça. As vacas são das maiores responsáveis por emissões de gases poluentes para a atmosfera. Ao todo, o sector da criação de gado é o culpado por de 18% das emissões, bem mais do que o dos transportes, responsável por "apenas" 13,5% desta ameaça ao ambiente.

A culpa é do sistema digestivo de ruminantes como as vaca, ovelhas, búfalos ou camelos, mas também de animais como o porco, que funciona como uma pequena fábrica de metano, um gás 20 vezes mais prejudicial para o ambiente do que o dióxido de carbono emitido pelos meios de transporte, que é enviado para a atmosfera pelo estrume e flatulência.

Só estes animais produzem 9% das emissões enviadas para a atmosfera. Os outros 9% vêm dos processos necessários à produção - alterações dos terrenos para uso como pastagens, criação de gado, transporte dos animais e da carne para os talhos.

Para combater o problema dos gases do gado, cientistas por todo o mundo tentam descobrir maneiras de "suavizar" a digestão destes animais.

Desde Janeiro que as vacas de 15 quintas em Vermont, Estados Unidos, têm sido postas à prova com a introdução de uma nova dieta. Em vez das habituais refeições compostas de milho e soja, é-lhes dado alfafa, sementes de linhaça e trevos. Os dados recolhidos até ao mês passado mostram que os níveis de metano enviados para a atmosfera desceram 18%, enquanto a produção de leite se manteve.

A nova dieta é de facto a responsável por esta descida das emissões poluentes: os alimentos dados às vacas são mais fáceis de mastigar e digerir, o que faz com que os animais engulam menos ar ao comer.

Guy Chornier, produtor de iogurtes, notou que as vacas da herdade estão "mais saudáveis", com o "couro mais brilhante e o hálito mais suave". "Suavizar" o hálito das vacas é algo urgente, dizem os cientistas climáticos. As vacas têm no estômago uma bactéria que faz com que arrotem metano, e alguns estudos indicam que cada animal expele uma média de 500 litros deste gás para a atmosfera por ano.

Fazendo uma conta rápida: em Portugal existe um milhão e meio de cabeças de gado.

Se cada vaca envia para a atmosfera 500 litros de metano, temos 750 milhões de litros deste gás na atmosfera todos os anos apenas devido ao gado bovino existente.

Agora é fazer as contas a países como o Brasil (189 milhões de cabeças de gado), Índia (187 milhões) e China (110 milhões), isto referindo apenas os três países com mais gado bovino.

Estes valores são apenas metade dos produzidos pela indústria da carne. Um relatório da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação) adiciona ainda os gases emitidos durante esta produção.

Para ter uma ideia, para se conseguir um quilo de carne polui-se tanto como conduzir um automóvel citadino durante 250 quilómetros e produz energia suficiente para acender uma lâmpada de 100 watts durante 20 dias.

Esperando-se que a produção de leite e carne duplique nos próximos 30 anos, as Nações Unidas consideram a criação de gado uma das mais sérias ameaças para o clima.

Nos Estados Unidos, a ameaça foi levada muito a sério e já começou o programa "vaca do futuro", que procura reduzir um quarto do total das emissões da indústria da carne até ao fim da próxima década.

Os cientistas estão a tentar de tudo para resolver este problema: começando pela genética - investigando vacas que emitem naturalmente menos metano - até fazer alterações nas próprias bactérias produtoras do gás.


http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1262025&seccao=Biosfera

Saturday, June 20, 2009

Picnic Vegetariano, Domingo, 28 de Junho



Picnic Vegetariano, Domingo, 28 de Junho
no Parque Municipal das Virtudes (Porto)

Casa da horta - Associação Cultural
222024123 / 965545519
Agora que o bom tempo começa a surgir, a Casa da Horta convida toda a gente para um Picnic vegetariano no dia 28 de Junho (Domingo), no fantástico Parque Municipal das Virtudes (perto da Cordoaria - Porto) com diversas actividades e associações presentes das 12:30 às 18 horas.

Vão haver actividades para miúdos e graúdos (origami, papagaios de papel, conto para crianças “A balada do Caracol Edmundo”), demonstração de fornos solares (a Casa da Horta vai levar uns petiscos para serem cozinhados nos fornos, se o bom tempo ajudar) e algumas surpresas!

Vão estar presentes as seguintes entidades com bancas de divulgação:

BioBébés
Campo Aberto
Centro Vegetariano
GAIA
Oriente no Porto
Plataforma Transgénicos Fora do Prato
Raízes - agricultura biológica
Refúgio das Patinhas

A ideia é cada participante trazer petiscos vegetarianos para partilhar!
E não te esqueças dos teus utensílios reutilizáveis! E claro, da toalha de picnic!

Cartaz:
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgzpRBxpD2u6oWOKwoRrqVGSNikLVOXEzNcsu9sywYTZ16C3BTwUC82d7CGQRvEOGYaujYbecO0i6VAFBEFhcsWqGlDBCowohPkaP9pucZVAiOxGzQT6VFwZixiYON7hOqZOPGiFA/s1600-h/pic+nic_1024.jpg

Mapa:
http://maps.google.pt/maps/ms?ie=UTF8&hl=pt-PT&t=h&msa=0&msid=111755082596135729936.00046b6f3f924a1a45a17&ll=41.145457,-8.618785&spn=0.003951,0.007178&z=17